segunda-feira, 17 de maio de 2010

iPad e o conhecimento.



Se me permitem o disparate Obama está "meio certo" ao criticar Ipad's, Ipod's, Xboxes, Live and Co (para entender).

Muito deste post parafraseia o artigo de hoje de Pedro Doria.

Todos nós ficamos impressionados com a demonstração de livros no iPad; em especial o da Alice (mais impressionante que o filme de Burton). É obvio o potencial desse novo segmento enquanto instrumento de aprendizagem, diversão e difusão. Não tenho dúvidas de que nossos filhos, ou mesmo nós em cursos de Graduação e afins, usaremos tablets como os da Apple como suporte às explicações.

É claro que o 'primeiro presidente digital' sabe disso. Até o Lula deve saber (espero). Não fosse o absurdo potencial dessas ferramentas, dificilmente ele teria a força popular que teve, segundo a conclusão primordial do documentário #ObamaDigital. Mas o fato é que a crítica de Barack tem fundamento e só poderemos comprovar os efeitos da digitalização em massa ao loooongo prazo.

Você que é navegante assíduo dos principais blogs de informações sabe que eles não se bastam como fonte de informação. Isso porque seus textos costumam preencher, assim como outros milhares de blogs, uma colcha de retalhos dos fatos que repercutem na web. Raramente encontramos textos que costuram suas premissas em lógicas conclusivas que servem como base de reflexão e conclusão da mesma ou de uma idéia nova. A maioria dos posts que o fazem, reproduzem conteúdos de mídia impressa e outras mídias já consolidadas (quando não na íntegra, boa parte deles).

Precipitando a perda de terreno (mas não nulidade) desses meios já consolidados, é possível afirmar que cada vez mais os conteúdos serão produzidos exclusivamente para os gadgets que surgem hoje como promessa de plataforma de leitura. E é justamente ai que entra preocupação de Obama e de muita gente: a abundância de informação e a falta de reflexão acompanhada do emaranhado novelo que hoje se tem na web. É possível dizer que muito do conteúdo sólido dos jornais diários se perpetuarão nos tablets, ou a adaptação em textos curtos e diretos é inevitável? Again, ao longo prazo.... looooongo.

Cada vez mais me parece que a leitura torna-se apenas um aplicativo, ou um ícone, dentre as infinitas possibilidades trazidas pelo iPad. Preferiria que seu nome fosse verdadeiramente iReader e que se perpetuasse nele o ritual de se abrir um livro magnífico, e não um passatempo entre as horas vagas.


Rodrigo Vitulli

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